domingo, 7 de março de 2010

Retiro 13/02/2010 | Biografia da Irmã Imaculada Virdis | Colocada pelo Superior Geral Pe. Cesarino



1. O PORQUÊ DESTA BIOGRAFIA

Quem conhece a espiritualidade e a mística do Mons. Ângelo Angioni, sem dúvida se pergunta como foi possível chegar a estes níveis a mística e da ascética sem um estímulo particular que favorecesse essa espiritualidade. O segredo que alimentava esta chama de amor pode ser descoberto na espiritualidade de alguns santos como de Sta. Catarina de Sena, ou pelos conselhos que durante os colóquios a Ir. Imaculada Virdis transmitia ao seu Diretor Espiritual. Só assim podemos entender a mística deste sacerdote dedicado a cultivar e transmitir grandes ideais. A finalidade desta palestra é incentivar para uma vida de união com Deus e de serviço ao próximo. Mesmo se algumas passagens desta biografia vão deixar a pessoa maravilhada e duvidando daquilo que está ouvindo não se esqueça que o ideal e essencial são invisíveis.


2. BIOGRAFIA DA IRMÃ IMACULADA VIRDIS.

Na tarde do mês de Novembro de 1945 chegou na paróquia de Bono uma Irmã de Clausura, Ir. Imaculada. O pároco desta paróquia era o Mons. Ângelo Angioni que se surpreendeu quando teve que visitar esta Irmã que estava doente de uma doença contagiosa. Os médicos tinham a ela proposto duas soluções, ou permanecer sempre no hospital da cidade de Viterbo (Itália) ou voltar a viver com a sua família na cidade de Bono na Sardenha. A superiora do mosteiro de Sta. Rosa de Viterbo tinha escolhido como opção melhor pedir que ela voltasse na sua família. Ela continuava ser todavia sempre uma Clarissa sujeita em tudo à Madre Abadessa. Foi este o primeiro encontro entre Ir. Imaculada Virdis e Mons Ângelo Angioni.
A Ir. Imaculada Virdis tinha nascida em Bono no dia 24/07/1909. Nós do IMCIM recebemos a notícia de sua morte, em Bono também, no dia 22/10/2000. Ela tinha 91 anos de idade.
Nestes 91 anos de idade, ela ficou doente de tuberculose por 55 anos. Todo este período de doença foi vivido na cidade de Bono junto a sua família na Sardenha. Portanto de 1945 à 1951 o pároco de Bono visitava pessoalmente a Irmã enferma. De 1951 à 2000 Mons. Ângelo se relacionava com a Clarissa através de cartas e telefonemas.
Eis os traços biográficos da Ir. Imaculada Virdis. Ela passou sua infância e adolescência da cidade de Bono, filha de um casal de comerciantes da mesma cidade e com os seus 16 anos, ela pensava em realizar sua família casando com um jovem da mesma cidade.
Mas vamos deixar a própria irmã Imaculada contar a história de sua vocação.
Encontramos nos colóquios de Mons Ângelo o seguinte diálogo: Escreve Mons. Ângelo:” De repente me veio na cabeça o desejo de conhecer as coisas de Deus. Por isso não demorei a visitar novamente a irmã.
-Quando é que Jesus manifestou-se à senhora pela primeira vez?
Isso foi logo que rompi o noivado. Porque antes eu era noiva de um homem. Foi o meu pai que combinou este noivado. Minha mãe chorava. Eu já tinha quinze anos. O jovem era um comerciante. Assim ficamos noivos um ano inteiro. Era um jovem educadíssimo. Eu nunca o ouvi dizer uma palavra inconveniente. Nem ter uma atitude que não fosse correta. Ele carregava no pescoço a medalha milagrosa. Ele freqüentemente recebia a Comunhão.”
Um certo dia nós voltávamos do nosso passeio; o noivo me disse: Os meus negócios vão indo muito mal. Eu não vou mais conseguir ter a possibilidade dec casar com você. .
Sua firma tinha falido. Escute, me disse, eu vou-me fazer religioso e você vai ser freira.
- Não! – Respondi prontamente – Você vai onde você quiser. Eu vou ficar em casa com a minha mãe.
Naqueles anos - continua irmã Imaculada- para mim, minha mãe era tudo, eu gostava muito dela, queria a ela muito bem. O casamento planejado resolveu-se em nada e eu percebi uma grande alegria em mim como de um bem muito grande que se tinha, e que eu não tinha perdido. Mas eu não conseguia entender o que era. Provavelmente tinha que ser o bem da virgindade. Logo depois se manifestou Jesus.
-Mas como era Jesus? Era Jesus Adolescente? Tinha a sua idade? Tinha uns dezesseis anos?
_ Não! Era o Sagrado Coração!
-Era bonito?
-Bonito! Grande!
-Eu estava de manhã no quarto térreo. Eu estava arrumando os cabelos. Jesus se aproximou e me disse:
- Você me dá esses cabelos?
“ Sim! Imediatamente – e corri no quarto de cima para procurar uma tesoura.
- Eu interrompi dizendo: E deixou Jesus sozinho?
- Sim!
-E ninguém percebeu disso?
-Não!
-A senhora não disse nada a ninguém?
Não, eu achava que Jesus se manifestasse a todo jeito.
-Vê - eu pensava - quando uma alma se entrega totalmente a Jesus-Jesus manifesta-se a ela nesta maneira... Por isso, quando voltou com as tesouras
- Não - me disse Jesus - não agora. Você vai me doar os seus cabelos mais tarde. Você terá que tornar freira.
Daquele momento em diante nós sempre temos permanecido juntos.
- Mas o que Jesus lhes falava?
_ Ele me ensinava muitas coisas. A primeira coisa foi a mortificação dos sentidos, de todos os sentidos . Ele me ensinou a mortificação da vista: “Procura caminhar com os olhos baixos . Começa a contar até dez; agora conte até vinte. Eu voltava para casa e não tinha visto nada. Ele ficava sempre ao meu lado. Também, depois que me tinha tornado freira das Mínimas do Sagrado Coração e tinha obrigação de ir à cidade Jesus caminhava a meu lado pelas ruas.
_ Quer dizer que a primeira coisa que Jesus lhe ensinou foi a mortificação dos olhos?”
- Sim! Em seguida a mortificação de todos os sentidos e o amor ao sofrimento. Quando estamos com Jesus os sofrimentos não se percebem. Existem sim mas é um gozo contínuo.
Depois de um certo tempo eu pergunto a queima rroupa:
-Me fale a verdade Irmã Imaculada, com Jesus você também namorava, não é verdade!
A irmã fica rindo por alguns minutos.
-Mas não como o amor humano, sabe, não, não.
-Mas, então, como ele é?
-È sobrenatural!

A irmã Imaculada foi destinada a trabalhar em um hospital e enfim transferida em um asilo de velhinhos
Ela assim escreve:
- Dez anos fiquei com as Mínimas. trabalhando assim.
Dez anos fiquei na clausura de Santa Rosa junto com as clarissas.
Nestes últimos dois anos, fiquei aqui, em família.

Continua contando Mons Ângelo no seu diário:
Diante de irmã Imaculada percebe-se de ficar diante um nada. Há pessoas que tem atitudes místicas e estão cheias de insinuações. Na irmã Imaculada não há nada disso. Porém é uma pessoa perfeita. Nem sei com certeza quantos anos ela tinha. Talvez trinta e oito. Mas olhando o rosto eu daria dezessete ou dezoito anos. Só que a sua saúde é muito fraca, a tuberculose está acabando com seus dois pulmões.. No meio de muitas pessoas nem se nota a sua presença. Ela participa das conversas. Se ela participa é alegre, risonha, extrovertida, simples como uma criança. Nunca fala dos seus segredos, das suas coisas íntimas relacionadas a Jesus. Ela nunca falou nada, até quando não encontrou o diretor espiritual designado pelo próprio Jesus..


3. ESPIRITUALIDADE DA IRMÃ IMACULADA VIRDIS.

Podemos ver na vida da Irmã Imaculada os traços da espiritualidade franciscana:

a) Seu amor para com a Eucaristia.

Ela desejava todo dia receber Jesus na Eucaristia. Muita vezes se esforçava de maneira heróica de ir ela até aa Igreja Matriz de Bono, apesar do frio e de sua doença.

b) O amor aos Sacerdotes.

Perguntou a ela o Mons Ângelo:
- Escute – disse - eu estou trabalhando sobre um estudo de política. É uma tentativa de fazer novamente entrar Deus na política. Fale aos Senhor que se ele não estiver de acordo , estou disposto a jogar no fogo tudo aquilo que eu escrevi..
_ Quando o Senhor vier eu vou pedir seu parecer sobre isso.
-Pergunte também isso: se ele está contente do PLANO MISSIONÁRIO que nós temos em mente!
A irmã prometeu de pedir também isso.
A resposta não demorou muito a aparecer.
A irmã me mandou chamar no dia 2 de março de 1947 . Eu lembro muito bem o dia que anotei no meu caderno.
-O Senhor está contente com o estudo político.
- Quanto ao PLANO MISSIONÁRIO está contente e abençoa com a condição que não se deixe desanimar pela oposição especialmente por parte do clero.
Na página 16 do volume V-A encontramos estas palavras de Mons Ângelo falando com a Irmã Imaculada:
- Eu acalento em um grande Plano Missionário: “Para cada diocese uma missão”.
Pode imaginar quanta ajuda eu estou precisando?
Eis a resposta da Irmã Imaculada:
- eu vou ajudar o senhor do mesmo modo, mesmo estando no monastério de Santa Rosa.
- Mesmo irá me ajudar ficando no convento?
_Sim!
-Mesmo do Paraíso!
-Sim!
A Senhora vai-me prometer isso?
-Sim!
- Se for assim não me interessa que volte para o convento mesmo agora.

c) Amor ao Cristo Crucificado.

Mons. Ângelo pergunta à Irmã Imaculada:
- Quer dizer qual foi a primeira coisa que Jesus lhe ensinou?
-Foi a mortificação dos olhos.
- E, em seguida?
- Em seguida a mortificação de todos os sentidos e o amor ao sofrimento. Eu gostava do perfume do.... Jesus não deixou mais que eu o cheirasse. Nos nossos campos havia um pedaço de terra plantado de alcachofra. Depois de ter feito a colheita só permaneciam árvores cheias de espinheiros. Depois do almoço quando as minhas irmãs estavam descansando, Jesus queria que eu caminhasse sobre aqueles espinheiros.
-Era muito dolorido?
Oh! Havia Jesus presente. Quando estamos juntos com Jesus os sofrimentos não se percebem. Existem sim, mas é um gozo contínuo.
-Coisa estranha!
- Mas sabe o que é? È que Jesus infunde um desejo ardente de sofrimento. Não se pode ficar sem sofrer. Naqueles momentos se uma pessoa se enfiasse no corpo uma faca, nem com isso ficaria satisfeita.
- O que falava. com Jesus?
-Da salvação das almas. Sim, ele queria as almas, mas sempre batia na tecla do sacrifício e da mortificação. De fato, para salvar as almas, não tem outro caminho que aquele do sacrifício.
- Me fale a verdade, Irmã Imaculada, com Jesus você também, namorava?
A irmã ficou rindo por alguns minutos.
- Mas não é como namoro humano, sabe.
- Então como é?
-È sobrenatural!. Jesus é ciumento. Ele quer a mortificação do coração. .
- Ma senhora me disse, que também Jesus é vivo no coração e da uns beijos!
- Mas o beijo de Jesus é uma coisa de.....Oh ! Não sei me expressar. não é possível se expressar. Eu também permanecia maravilhada como Jesus se humilha até se tornar um mendigo do nosso amor! Coll - 2 pag. 20 – Vol 5-A )


4. MEUS ENCONTROS COM IR. IMACULADA VIRDIS EM 1972, 1998, 1999.

Encontrei Irmã Imaculada, pela primeira vez no mês de Julho de 1972. Na mesma oportunidade encontrei o Bispo de Ozieri Mons Cogoni , as irmãs Filipinas, os pais de Pe. Mario Cherchi, do Padre Gavino e do Padre Nino Carta.
Um padre do Seminário de Ozieri me levou de carro até Bono. Era o Padre Pinna que meses depois deixou o sacerdócio. Durante a viagem atravessando paisagens maravilhosas e parecidas com fotografias da lua enviadas pelos astronautas à terra. Lagoas ressequidas, rvores petrificadas, rochedos com aspectos de cara de pessoas, passagens entre montanhas que o vento tornava perigosas pela sua violência, chegamos a Bono. Durante a viagem eu falava com o meu motorista de Irmã Imaculada. Ele nada sabia de tudo isso que falei, nem sabia nada dela. A irmã não estava na sua casa na cidade. Cidade situada nas encostas do Monte cujo nome é Santo Padre.
Tendo o endereço da Irmã foi perto da sua residência. Veio o Padre Virdis, parente da Irmã a me receber e me explicou o caminho para encontrar a residência de verão dela. Andamos por horas no meio da floresta sem encontrar casa nenhuma. A estrada era tão difícil que o carro quase capotava morro abaixo. Pedi a meu motorista de brecar. Eu teria procurado a tal residência de a pé. Assim foi. Em um buraco de um vulcão apagado há milênios, havia uma casa do século 12. Só podia-se ver a residência de perto, tantas eram as árvores em volta. A Irmã veio me receber. Me ofereceu o almoço . Me disse coisas estranhas que eu não entendi Entreguei a encomenda de Mons Ângelo e foi embora. Faltavam duas horas para o meu avião sair da ilha Sardenha. Para complicar a situação veio a faltar o combustível do carro. Ainda bem que um padre nos emprestou sua condução. Um temporal sobre a França fez desviar o avião para outra cidade, a cidade de Bolonha.
A segunda e terceira vez que encontrei irmã Imaculada eu estava acompanhado pelo Mos Ângelo. A viagem e acolhida foram diferentes. Eu sou era o secretário dele. E todas mordomias dele eram minhas também.


5. CONCLUSÕES

Para conseguir entender as mensagens desta mística de acordo com o manual Compêndio de Ascética e Mística escrito pelo teólogo Tanquerey na página 916 é preciso, que a pessoa que se apresenta com esta fenomenologia extraordinária possua estas condições:
a) mortificação das paixões;
b) prática das virtudes;
c) tomar em consideração a seguinte afirmação:” quem quer se fazer anjo, acaba sendo um animal”.

É preciso também saber que os fenômenos extraordinários que se realizam na vida mística:
a) não são necessários para alcançar a perfeição;
b) as vezes estes fenômenos tornam-se uma distração para a vida de perfeição;
c) este fenômenos precisam ser analisados a fim de não prejudicar, mas purificar a fé eliminando toda curiosidade;
d) São João da Cruz alerta dizendo que este fenômenos místicos podem ser fonte de ilusões;
e) é preciso que a pessoa seja muito humilde e seja submetida à vontade de Deus.

O mesmo autor na página 917 do seu Compêndio fala que é preciso ter regras para isto.
1ª- Que a pessoa não estérica, mas de bom senso.
2ª- Que as mensagens místicas estejam de acordo com a fé da Igreja.
3ª- Que estes fenômenos não causem perturbações na vida da pessoa que os experimenta.


6. BIBLIOGRAFIA

TANQUEREY. Compêndio de Ascética e Mística.(nº 1473-1503). Ed. Desclèe. Roma – Tournai Paris

Catecismo da Igreja Católica. (Prólogo Pág 10). Ed. Loyola.

Escritos de Monsenhor Ângelo Angioni. Escritos Espirituais e Sermões Vol. 5A

Um comentário:

  1. O domingo de Páscoa em 1936 foi a 12 de Abril.
    O domingo de Páscoa a 18 de Abril foi em 1938.

    Por favor corrigem o erro. Será 12 de Abril de 1936 ou serß 18 de Abril de 1938 ? O meu e-mail é jepacheco@sympatico.ca

    Ficaria tão feliz se me dessem esse esclarecimento. Obrigada, Elizabeth

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